Canárias: Papa Leão XIV pede reflexão sobre a imigração
O Papa Leão XIV visitou Espanha entre 6 e 12 de junho de 2016. Em vários discursos e homilias, abordou a questão da imigração. Nas Canárias, visitou Tenerife e a Gran Canária. A partir daí, transmitiu mensagens profundas a todas as nações sobre a tragédia da imigração.

No dia 11 de junho, reuniu-se com representantes dos serviços de acolhimento de imigrantes no Porto de Arguineguín (Las Palmas de Gran Canaria). Destacamos alguns excertos do seu discurso, no qual pede reflexão por parte de todas as nações, e em especial dos católicos:
“O Sucessor de Pedro não se pode desinteressar destes cais. A Igreja não se pode desinteressar destas águas nem de qualquer lugar onde a fome, a sede, a violência, o medo ou o exílio continuem a ferir a dignidade humana. Os discípulos de Jesus não podem considerar alheio o clamor de quem grita no meio da noite.”
“Queridos migrantes: antes de vos dizer qualquer outra palavra, quero inclinar-me perante a vossa dignidade. Não sois números nem processos administrativos. Sois pessoas com uma família e uma casa deixada para trás; com sonhos que ninguém tem o direito de desprezar. Mas também quero dizer-vos que a vossa vida deve ser protegida. Não entregueis a vossa existência àqueles que com ela fazem comércio. Não acrediteis naqueles que prometem paraísos fáceis em troca do vosso corpo ou de dinheiro, de silêncio ou da vossa liberdade. Essas falsas promessas são “cantos de sereias”, são indústrias de morte.”
“Este drama tem de se tornar um exame de consciência: para as nações de origem, que devem criar condições de paz, justiça e desenvolvimento; para as nações de passagem, chamadas a proteger e a não deixar os mais fracos nas mãos de redes criminosas; para a Europa, que não pode proclamar a dignidade humana e habituar-se a que o Mediterrâneo e o Atlântico sejam cemitérios sem lápides; para a comunidade internacional, chamada a uma cooperação eficaz e perseverante.”
“Também a Igreja deve deixar-se interpelar. O acolhimento do migrante não pode ser algo secundário nem delegado exclusivamente a alguns voluntários.”
“E que a história não tenha de nos acusar de termos convertido a dor dos que sofrem numa paisagem habitual das nossas costas. Porque hoje, aqui, junto ao mar, cada vida que chega questiona-nos sobre o que resta da nossa humanidade. Mais cedo ou mais tarde, saber-se-á se soubemos guardá-la ou se deixámos que a indiferença falasse por nós.”
No dia 12 de junho, em Tenerife, encontrou-se com imigrantes no centro “Las Raíces”. Aí, exclamou: “Somos todos — de alguma forma — migrantes, somos todos peregrinos a caminho da nossa pátria celeste”.
Lembrou os missionários espanhóis que foram para a América “proclamar o Evangelho, abrindo novos horizontes missionários. Eram também migrantes que se aventuraram no desconhecido, levando como principal bagagem a fé, a esperança e a caridade”.



